quinta-feira, 31 de maio de 2012

Seminaristas - futuros líderes das igrejas - 31.05.12 - 39/100 dias de oração pelo Brasil


Abordar este assunto tem sido um dilema para mim. Primeiro, porque é evidente a distância entre discurso e prática na denominação (= igrejas + instituições + organizações), sobre a importância da educação teológico-ministerial; segundo, porque através dela se trava, nos bastidores, uma batalha a meu ver político-ideológica travestida de preocupação bíblico-teológica.

Pior é que a maioria esmagadora dos membros de nossas igrejas parecem não se dar conta da importância do assunto. É como se a devoção pela qual se interessa na igreja nada tenha a ver com o pensamento teológico, com a formação ministerial do seu pastor. Mas tem tudo a ver.

A formação teológica determina nossa visão de mundo, nossa compreensão dos problemas pelos quais passam os indivíduos, nossa relação com as estruturas sociais vigentes, nossas prioridades na administração eclesiástica, etc. É a visão que temos de Deus, da Bíblia, do ser humano, de igreja, por exemplo, que determina o conteúdo da mensagem que anunciamos, o estilo de liderança que praticamos e até mesmo a escala de valores e prioridades que adotamos.

Então, cada vez que nos sentamos num "banco de igreja" e ouvimos um sermão, uma palestra, uma aula de escola bíblica, estamos nos expondo a uma cosmovisão daquele que usa da palavra. Tanto isso é verdade que os bereanos ouviam a mensagem de Paulo com interesse, mas a conferiam com o que as Escrituras diziam (At. 17.11). Para mim, a importância desse registro é mostrar-nos que aquilo que ouvimos, venha de quem vier, pode e deve ser confrontado com o que norteia nossa vida. (cf também I Tes. 5.20-21; I Jo. 4.1) No caso dos Bereanos, as Escrituras disponíveis. No nosso caso, o Novo Testamento, pois ele é a interpretação cristã do chamado, também não por acaso, Velho Testamento (Bíblia do judaismo).

Percebe porque a questão "educação teológico-ministerial" não deve ser do interesse somente de pastores ou de alguns dirigentes denominacionais?

Quando um aluno chega em uma escola de educação teológico-ministerial, geralmente sua cabeça é a cabeça do pastor que o acompanhou até ali (especialmente daquele que o conduziu ao evangelho) e sua cosmovisão é, geralmente, a mesma da igreja com a qual caminhou. Seus sonhos estão fundamentados naquilo que viu e ouviu,
durante seus anos de igreja, a respeito do que é ser cristão, ser igreja, ser cidadão neste mundo, etc. Na escola de educação teológica (seminário) seus horizontes se ampliam e se aprofundam, pois ele está sendo preparado para liderar e não para ser papagaio de pirata ou boneco de ventríloquo.

No "seminário" ele deve ser exposto com mais profundidade às diversas formas de pensar a fé, justamente para que construa convicções sólidas. Se sua forma de pensar não pode ser confrontada numa sala de aula com professores que são seus irmãos na fé, melhor seria abandoná-la, pois, no ministério ele se deparará intensamente com pensamentos divergentes e, ou se tornará um cínico, dando respostas nas quais não acredita, ou falará de coisas que, de fato, fazem parte de sua construção espiritual.

O objetivo de um seminário confessional é, basicamente, preparar pessoas em duas direções. Primeira, para trabalhar com o ser humano e, segunda, para liderar uma instituição chamada igreja (com todas as implicações de qualquer empreendimento legal). Quando priorizamos o preparo do aluno para atender os interesses mercadológicos da instituição e deixamos em segundo plano o preparo para trabalhar com gente, estamos sendo incoerentes com a vida  e ensinos do Jesus que anunciamos.

As brigas políticas em torno da educação teológica geralmente se dão em função dos interesses instituicionais e não do preparo do aluno para transformar em ações seu amor "a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", ainda que tais brigas sejam travestidas de linguagem piedosa.

É necessário que oremos pela formação dos futuros líderes de nossas igrejas e que lutemos pela priorização disso no uso dos recursos denominacionais disponíveis. Ela afeta profundamente nossas vidas, nossa ação no mundo e não só a instituição chamada igreja.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

"Brasília, Capital da Esperança" - 30.05.12 - 38/100 dias de oração pelo Brasil



Neste 38º dia de oração pelo Brasil, nossos corações estão voltados para Brasília, a capital do Brasil.

Com um projeto inicial para 60.000 habitantes, hoje abriga em torno de 2, 5 milhões de pessoas, das quais, em torno de 50% não são originalmente de lá. Com uma maioria inicial originária de Minas e Goiás, hoje, segundo informações, a maioria dos que pra lá se mudam é de estados do nordeste. Brasília apresenta muitos aspectos favoráveis àqueles que lá residem, mas também tem seus problemas.

Entretanto, incluir Brasília como alvo de orações hoje, não se deve apenas ao fato de ser uma cidade, mas por ser a capital do país. De lá, em tese, saem as decisões que mais diretamente afetam a população brasileira
, oriundas dos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Sua identificação como "capital da esperança"
, conforme registro feito pelo Pr. Josué Mello Salgado, em texto publicado no roteiro  "100 dias que impactarão o Brasil", vem  de "hino mais popular e mais interpretado" sobre a cidade.

Num certo sentido ser "capital da esperança" é verdadeiro, pois de lá se espera decisões que tragam benefício para o povo brasileiro. Porém, a cultura de esperar que melhorias das condições de vida se deem em função de iniciativa dos que governam o país é um dos grandes equívocos que temos cometido como brasileiros. A história comprova que parcela significativa, daqueles que nós enviamos para Brasília através do nosso voto, para trabalhar em favor do povo brasileiro, trabalha em favor de si mesmos, de interesses de grupos e até de organizações criminosas, segundo temos visto tão acentuadamente nesses dias através das mídias.

Além disso, precisamos desenvolver a cultura de que os governantes são eleitos para administrar os interesses públicos do país e não para serem nossos padrinhos ou despachantes. Deles devemos cobrar que cumpram suas atribuições, na forma da lei. Pela melhoria de nossa vida, individual e coletivamente, somos nós que devemos lutar, inclusive politicamente, em vez de esperar com a mão estendida, como pedintes, soluções do "pai governo".

Não seria heresia, então, usar aqui as palavras de Pedro:
"Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir; estejam alertas e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado." (I Pd. 1.13)

 A razão de nossa esperança, portanto, deve ser a graça de Deus manifesta em Jesus Cristo. Ela é "âncora da alma, firme e segura" (Heb. 6.19) e não nos decepciona (Rom. 5.5).

Preparemos-nos, pois, "
para responder a qualquer pessoa que (nos) pedir a razão da esperança que há em (nós)" (I Pd. 3.15). E oremos pelos moradores de Brasilía, especialmente por aqueles cujas atribuições lhes conferem poder para tomar decisões que influenciam os rumos de nossas vidas e do país, para melhor ou para pior.

Abraços do seu pastor,

terça-feira, 29 de maio de 2012

Arrependimento e Conversão no Senhor Jesus Cristo - 29.05.12 -37/100 dias de oração pelo Brasil

A decisão de Judas de devolver aos sacerdotes as 30 moedas de prata que recebeu como pagamento por sua traição é motivo de divergência entre os estudiosos do Novo Testamento. É que, embora a palavra grega que aparece no texto (Mt. 27.3), expressando a reação de Judas diante da condenação de Jesus, seja "metameletheis" e não "metanóias", há divergência nas traduções. Umas a traduzem por "arrependimento", outras por "remorso" e outras, ainda, por "compungiu-se".

É claro que, se um dos princípios de interpretação bíblica mais conhecidos é o que diz que não se pode construir uma doutrina usando somente um versículo, muito menos poderíamos julgar uma vida usando somente uma palavra.

Porém, o que leva grande número de estudiosos a defenderem que, no caso de Judas, não houve arrependimento, mas apenas uma mudança de sentimentos, foi o fato de que, 1) embora Judas tenha percebido a bobagem que fez -
"Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado..."   (Mt 27.3) - ; 2) embora,
Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado
Mateus 27:3......"  essa percepção o tenha levado a
 tenha devolvido o dinheiro recebido pela traição - "devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata..." (Mt 27.3) - ; e, 3) embora, ainda, tenha reconhecido o seu pecado - "E disse: "Pequei, pois traí sangue inocente"."(MT 27.4) - a consequência disso, em vez de produzir nele a decisão de iniciar uma nova vida, levou-o ao suicídio - "Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo e, saindo, foi e enforcou-se". (Mt. 27.5).

O peso do erro reconhecido por Judas foi agravado com as palavras dos líderes religiosos: "E eles retrucaram: "Que nos importa? A responsabilidade é sua"." (Mt. 27.4).  Porém, ainda que eles tenham colocado a responsabilidade pela morte de Jesus sobre Judas; ainda que tal responsabilidade também tenha sido colocada sobre o povo israelita (At. 3.15) e sobre os líderes judeus (At. 5.30;), diferentemente disso, a teologia da morte de Jesus, como a vemos no Novo Testamento, em vez de colocar a responsabilidade pela morte de Jesus sobre os ombros de uma pessoa ou de um grupo, a coloca sobre os ombros de todos nós.

Emitir, então, juizo de valor sobre a salvação de Judas é fácil para aqueles que entendem salvação como uma equação matemática, na qual "a soma da palavra bíblica tal + a palavra bíblica qual + a reação da pessoa "Y" é = a...".  Porém, salvação é uma manifestação graciosa de Deus, que conhece as intenções, os motivos, dos corações. Para ele, o que é impossível aos homens torna-se possível (Mt. 19.26). Assim, prefiro  não entrar no julgamento de Judas.

O que posso dizer, à luz das consequências da  "metameletheis" em Judas e das consquências de "metanóia" em "N" casos registrados no Novo Testamento é que "metanóia" produz vida enquanto "metameleteheis" produziu suicídio.

Sim, arrependimento é uma reação que ocorre no interior da vida humana, através da qual tem início um processo de mudança de mentalidade a respeito de nós mesmos e da nossa relação com Deus, com as pessoas e com o mundo que nos cerca. Essa nova mentalidade é geradora de vida, por isso afeta todas as dimensões, levando o arrependido a não conformar-se com condutas, leis, estruturas de pensamento ou de organização social geradoras de morte.

Essa  inconformação movida pela mudança de mentalidade, não nos torna juizes arrogantes, prepotentes, do mundo, nem vendedores de um produto religioso, muito menos profetas do pessimismo, mas cooperadores humildes de Deus no sentido de
"pregar boas novas aos pobres", "proclamar liberdade aos presos", "recuperação da vista aos cegos", "libertar os oprimidos" e de estar sempre atentos, por saber que "aquele que julga-se firme, cuide-se para que não caia" (I cor. 10.12).

Arrependimento, portanto, é uma reação contínua. Sob o domínio da confiança na graça de Deus, cada vez que o arrependido depara-se com situação que pode produzir morte, sua reação o move em sentido contrário, no sentido de caminhar para e com Jesus, pois, como ele mesmo disse, "quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva". (Jo. 7.38).

Ao orar por arrependimento e conversão no senhor Jesus Cristo, comecemos por nossas próprias vidas, verificando se nossas atitudes, palavras e ações são geradoras de vida ou de morte; se nossos posicionamentos diante da realidade são produtores  de vida ou de morte. Feito isso, oremos então para que cada pessoa ao nosso redor seja contagiada por esta nova mentalidade que pode ser alcançada na relação graciosa com Jesus, o Cristo.

Abraços do seu pastor,

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Analfabetismo - 28.05.12 - 36/100 dias de oração pelo Brasil

Uma música que marcou minha vida a partir do final da década de 70, foi publicada sob o número 552 do "Hinário Para o Culto Cristão", produzido e vendido pela Convenção Batista Brasileira.

É pouco conhecida e cantada em nossos cultos.

Como "definiu-se" que atuação social não é o "nosso nicho de mercado" denominacional, ocupação com questões sociais acaba sendo, para alguns, apenas estratégia de "missões" (o que exatamente se quer dizer com esta palavra?).

O hino toca no problema do analfabetismo, não de maneira romântica, mas em uma de suas mais sérias implicações. Leia:

Que estou fazendo se sou cristão

Letra: João Dias de Araújo
Música: Décio Emerique Lauretti


"Que estou fazendo se sou cristão,
Se Cristo deu-me total perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão,
Há muitas vidas sem salvação.
Meu Cristo veio pra nos remir,
O homem todo, sem dividir:
Não só a alma do mal salvar,
Também o corpo ressuscitar.


Há muita fome no meu país,
Há tanta gente que é infeliz,
Há criancinhas que vão morrer,
Há tantos velhos a padecer.
Milhões não sabem como escrever,
Milhões de olhos não sabem ler:
Nas trevas vivem sem perceber
Que são escravos de um outro ser.
 
Que estou fazendo se sou cristão,
Se Cristo deu-me o seu perdão?
Há muitos pobres sem lar, sem pão,
Há muitas vidas sem salvação.
Aos poderosos eu vou pregar,
Aos homens ricos vou proclamar
Que a injustiça é contra Deus
E a vil miséria insulta os céus."


O problema do analfabetismo, colocado nessa música, não são apenas os prejuizos sofridos pelas pessoas nesta condição, tais como não saber ler a linha do ônibus ou um aviso de perigo ou uma receita médica, ou a Bíblia, por exemplo; nem o fortalecimento da baixa-autoestima, pelo preconceito social do qual o analfabeto é vítima;  nem, ainda, o fato de não poder competir por uma vaga no mercado de trabalho que ofereça melhores condições, enfim. O destaque é: "Nas trevas vivem sem perceber que são escravos de outro ser".

O analfabetismo, seja ele em relação à escrita, à leitura ou  à politica, torna-nos presas fáceis de pessoas e sistemas autoritários, exploradores, opressores. Analfabeto, então, não é somente quem não sabe ler ou escrever, mas quem não sabe interpretar o que lê e nem tem noção das consequências, inclusive políticas, de sua condição.

Tenho observado, por exemplo, o processo de analfabetismo teológico a que estão sendo submetidas algumas escolas de formação ministerial da denominação batista, nos últimos anos. A impressão que tenho é que, para alguns, seminário de teologia deve ser escola técnica de formação de mão de obra qualificada para atender as exigências do mercado religioso-denominacional, especialmente relacionada a quantitativismo.

A pretexto de combater o que chamam de "academicismo" ou um suposto inimigo chamado "liberalismo" (você sabe a extensão e alternativas de significado dessa palavra?), nossas escolas de formação teológica estão sob pressão, parece que, para serem transformadas em "Escola Bíblica Dominical' (com todo respeito à EBD) um pouco mais equipada, com professores remunerados e objetivos mais tecnicamente específicos. Gente que pensa, exceto se o pensamento não divergir, não é bem vinda.

Oremos então, pelo fim do analfabetismo em suas diversas formas de manifestar-se, visando possibilitar a todos, a participação na construção de uma vida melhor com Deus e com os semelhantes, em todas as dimensões. E nos comprometamos com aquilo pelo que oramos.
Abraços do seu pastor,

Escolas e Universidades Brasileiras - 27.05.12 - 35/100 dias de oração pelo Brasil

Fui convidado a participar de uma reunião, em um hotel de ponta, na qual um senador com histórico relacionado à educação falaria sobre qualidade na educação. Dentre seus argumentos para justificar a falta de qualidade, um chamou minha atenção. Disse ele que, uma vez que os salários pagos aos professores diminuiram sensivelmente, ensinar deixou de ser interessante às filhas da classe abastada, portanto as bem educadas, e as vagas passaram a ser ocupadas por pessoas da "periferia", sem preparo adequado.

Em outra ocasião, foi da boca de um pai que, ao comentar o sucesso financeiro do filho que havia terminado o 2º grau e parou de estudar, ouvi: "estudamos pra ganhar dinheiro. Se ele já está ganhando dinheiro, pra que estudar mais?" (O problema não é parar de estudar, ainda que isso seja uma decisão equvocada numa época de rápidas e profundas transformações científico-tecnológicas, mas a justificativa para tal)


O que há em comum, nos dois casos é, além da ignorância, o dinheiro como eixo do processo ensino-aprendizagem.


Não tenho nada contra o dinheiro, exceto sua divinização e transformação em eixo central de motivação para o desenvolvimento dos processos educacionais.


É claro que um bom salário é boa motivação para o trabalho. Porém, um bom salário, por si só, é capaz de, no máximo, fazer com que o professor coloque um largo sorriso no rosto e pare por aí. Ele - salário - não é o único, nem o mais importante diferencial entre uma aula ruim e outra de boa qualidade. 


Quanto a estudar para ganhar dinheiro, devemos nos lembrar que uma pessoa pode ganhar muito dinheiro sem ter aprofundado seus estudos, mas sua vida não ser de boa qualidade, especialmente no essencial, no permanente.


Dinheiro, portanto, não deve ser a única, muito menos a motivação central das escolas. Construir valores que fortaleçam a dignidade humana, em termos individuais e sociais e conhecimentos que nos ajudem a minorar a dor uns dos outros; desenvolver competências e tecnologias que nos permitam realizar bem aquilo que produza vida saudável, confortável e prazerosa para  todos; conscientizar-nos de como as relações interpessoais e sociais são estabalecidas, do papel que podemos e devemos exercer na sociedade, da função da ética para nortear e preservar a vida, do tipo de relação que devemos manter com o dinheiro e, especialmente, da importância do conhecimento e reconhecimento da dimensão espiritual da vida, por exemplo, são mais importantes do que apenas ensinar ou estudar para ganhar dinheiro.


Reconheço, por exemplo, a importância do ensino tecnico-profissionalizante. Vejo-o, porém, com desconfiança, quando é oferecido quase que exclusivamente para atender interesses econômicos (leia-se, via-de-regra, interesses dos proprietários de empresas ou seus acionistas), colocando como grande vantagem para a população o fato de ter emprego e renda e, pior, usando isso como ideologia para solução de problemas sociais, quando há outras áreas da vida cuja importância para a realização humana e bem estar social também exigem prioridade e investimento em educação.


A discussão então, não é sobre o papel ou a importância do dinheiro na vida humana, mas sobre o uso dele como motivação central para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem e quem efetivamente ganha ou perde com isso.


Igrejas cujo parâmetro de desenvolvimento são os números (de batismos, de membros, de missionários, de congregações, de receita, etc.) e cuja motivação para suas atividades é o aumento de membros, de patrimônio ou finanças, demonstram que suas vidas giram em torno de critérios da mesma natureza dos adotados pela educação realizada em torno do dinheiro. Sua eficácia espiritual em nada contribui para o desenvolvimento humano, exceto, talvez, para uma pequena parcela da população.


Igrejas assim não poderão contribuir efetivamente para a construção de uma socieade na qual o dinheiro não seja "deus", na qual a realização do ser humano integralmente está gritando por socorro.


Ao orarmos hoje pelas escolas e universidades, oremos pela mudança de mentalidade dos que estão decidindo a educação brasileira, inclusive das igrejas, e pelo envolvimento do "povo de Deus" na luta por educação voltada para todos, em todas as dimensões da vida.


Abraços do seu pastor,

sábado, 26 de maio de 2012

Libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos - 26.05.12 - 34/100 dias de oração pelo Brasil

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." ( Mateus 6:24)

Não acredito que se possa combater a corrupção, em termos espirituais, sem entendimento e obediência às palavras de Jesus a respeito da nossa relação com o dinheiro. Entendo que a compreensão das palavras de Jesus - "Não podeis servir a Deus e a Mamon" - é a chave que modifica todo o sentido de nossa existência e afeta nossos relacionamentos com as pessoas, as coisas e o meio ambiente.

Qualquer pessoa que aprofunde o entendimento sobre o significado de tais palavras e as leve a sério concordará com Robert Kiyosaki e Sharon Lechter
,  paradoxalmente capitalistas conhecidos pelo livro "Pai Rico, Pai Pobre", pelo menos quando afirmam que devemos controlar o dinheiro e não ser controlados por ele.

Ainda que a ideologia não seja a mesma, as palavras deles clareiam uma idéia essencial das palavras de Jesus: controlará nossa vida quem for reconhecido por nós como nosso Deus.

Corrupto é a pessoa que, na prática, definiu que o dinheiro é o deus de sua vida. Não importa quanto tenha, nem que malefícios isso possa causar à sua vida, à humanidade ou ao meio ambiente. Não importa a ética ou as leis de uma sociedade. O importante é ter, seja qual for o preço a ser pago, pois o dinheiro é o deus de sua vida e sobre ela exerce pleno controle.

Isso, entretanto, não significa que, para resolvermos a questão da corrupção, nada mais precise ser feito senão "evangelizar", visando a conversão de cada indivíduo ao "senhorio de Deus".

Por esse raciocínio, não seria necessário nos ocuparmos com a elaboração, manutenção e aplicação de leis para garantir uma infinidade de direitos humanos. Bastaria um constante e ininterrupto processo de  "evangelização" e tudo se resolveria.

Significa que, em que pese o reconhecimento de que a base espiritual dos nossos problemas seja a ausência de reconhecimento do senhorio, da autoridade de Deus sobre nossas vidas e que a evangelização (não confundir com a  conquista de adeptos religiosos interessados somente em fugir do fogo do inferno para em viver em ruas de ouro e cristal nos céus) seja o caminho para que nossa relação com Deus se modifique, outras ações são necessárias, em termos sociais. Sem tais ações, os efeitos maléficos da insubmissão a Deus destruirão a vida.

Penso que o combate à corrupção deve passar por um permanente processo evangelizador visando levar pessoas a conhecerem, reconhecerem e se comprometerem com os valores espirituais personificados em Jesus, bem como por uma ação política determinada das pessoas que reconhecem o "senhorio de Deus", personificado em Jesus, no sentido de desenvolverem leis, estruturas organizacionais e sistemas de controle que minimizem os efeitos maléficos que o "Senhorio da riqueza", personificado no dinheiro, exerce sobre a vida humana.

Leis como a de responsabilidade fiscal e do acesso à informação, bem como projetos de lei
, em discussão no Congresso Nacional, como o que regulamenta o lobby político (as ações visando influenciar os poderes públicos); que institue o financiamento público de campanha, acabando legalmente com o financiamento privado e o que criminaliza as empresas que participam de atos de corrupção são iniciativas que visam aumentar a transparência e as penalidades, para tornar a vida em sociedade mais saudável, minimizando os efeitos do "senhorio do dinheiro".

Neste dia em que estamos orando para "libertar o Brasil da corrupção e dos negócios ilícitos", não podemos deixar de rever
, diante de Deus, nossa teologia, bem como nossa ética. Isso é essencial na construção de uma vida melhor, de um país melhor.

Abraços do seu pastor,
Edvar

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Hospitais - Motivo constante de nossa intercessão -- 25.05.12 - 33/100 dias de oração pelo Brasil

Certo dia, ainda no final da adolescência, Dona Nena, minha mãe, perguntou-me se eu visitaria determinada pessoa que estava hospitalizada. Respondi declarando não gostar de ir a hospital. Ela replicou perguntando: mas, você não vai ser pastor?

Claro que me senti chantageado. Como querer ser pastor e não gostar de ir a hospital?

Desde então, em vez de desenvolver o gosto de ir a hospital, descartei a idéia de que poderia ser um pastor completo (ideal de adolescente!). Passei a trabalhar em função de um alvo mais modesto: fazer o meu melhor visando ser um bom pastor.

Se, então, me ouvir dizendo que vou a hospital com prazer, tenha certeza: estarei mentindo. Vou porque minha presença pode ser boa - e geralmente é - para alguém. Ou porque precisei pra mim mesmo!

Penso que profissional de saúde deve gostar de saúde, gostar de gente mas, de hospital, apenas mais do que pessoas como eu. Enquanto a maioria das pessoas vai a hospital por necessidade, geralmente sofrendo, profissional de saúde vai, ou para realizar seu sentido de "vocação", ou por consciência de missão, ou para "fazer" seu sustento, ou, o que o faria muito mais feliz, por todas as razões anteriores.

Condições favoráveis à saúde diminuem a probabilidade, mas não elimina a possibilidade de se precisar de hospital. Por isso, se meu sentimento desfavorável a hospital aumenta em mim a valorização de sua importância, minha admiração pelos profissionais que nele atuam se dá pelo reconhecimento da importância humana e relevância social do trabalho nele desenvolvido.

Afirmar aqui que a priorização da saúde pública no Brasil não faz parte da agenda da quase totalidade daqueles que os partidos políticos indicam e nós ratificamos pelo voto, seria repetitivo. Por isso, neste dia, devemos sim, orar pelos hospitalizados e pelos profissionais que atuam nos hospitais, mas também e, sobretudo, por nós mesmos, para que nos empenhemos mais no sentido de sermos cidadãos mais conscientes.

Isso significa não somente ser mais cuidadoso na hora de votar, mas também mais informado e engajado, por todos os meios, em lutas que tornem o Brasil mais saudável, em todas as áreas, inclusive, portanto, na de saúde e, especificamente, no cuidado com os hospitais.

Abraços do seu pastor,

quinta-feira, 24 de maio de 2012

CPI do Demóstenes, Cachoeira & Cia

Ontem conversava com um amigo e irmão na fé sobre a CPI do Demóstenes, Cachoeira & Cia. 

 Lamentava profundamente, pelo que representa, simbólicamente, a presença de  Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, atuando como advogado do denunciado como maior criminoso do Brasil presente na mídia nos últimos dias.


Compreendo que o profissional do direito se sustenta do que recebe para defender os interesses de seus clientes e não para defender a ética, a moral ou a justiça, como valores abstratos. 

Reconheço, também que qualquer individuo tem o direito de contratar advogado para defender seus direitos. 

Percebo, inclusive, o componente inibidor que o ex-ministro representa para nossos políticos, por conhecer como poucos os esgotos do poder. 

Até causa indignação, o componente circense e marqueteiro de uma CPI e o tratamento de "bobos da corte" dado por alguns dos "nossos representantes" a nós, cidadãos-eleitores (vide Vaccarezza). 

Ainda assim, lamento e fico indignado...